No sábado eu tive minha primeira experiência com aulas de teatro. Nunca participei nem mesmo de peças na igreja, mas resolvi ingressar na oficina de teatro de rua e estou realizando um sonho. Foi uma experiência incrível!
Já na primeira aula fomos para a Praça Costa Pereira. O interessante é que trabalhei no centro de Vitória por vários anos e foram poucas as vezes que parei na praça. Confesso que foi estranho chegar lá e ouvir: sentem-se no chão... Mais estranho ainda quando a orientação foi: deitem-se no chão! Contudo, devo admitir que o desconforto foi apenas inicial. Em pouquíssimo tempo eu já estava adorando aquele momento. Sentir-se completamente integrada àquele ambiente, fechar os olhos e ouvir os diversos tipos de sons, deixar aflorar os sentidos... Foi estimulante!
Outro exercício proposto foi conhecer em 01 minuto o que outro colega faz da vida e representá-lo depois. Foi muito bom superar a timidez inicial e perceber o esforço e a criatividade de cada Ator aprendiz para representar.
Após a experiência na praça voltamos para a sala de aula da FAFI. A partir de então começamos a ouvir a percepção de cada um dos colegas. E que ricas percepções! Algumas análises daquele momento foram realmente encantadoras: Vander, João Vitor, Robson, Franciely, Orion entre tantos outros. Ouvimos a respeito da integração com o ambiente, dos diferentes níveis de audição, da zona de conforto, da interação com os transeuntes, da superação...
Ao chegar em casa e pensar em todos o momentos da aula lembrei-me dos meus tempos de UFES, das explicações do professor Luiz Eustáquio Soares a respeito de Alteridade: Como se colocar no lugar do outro, como interagir, como conviver e aceitar as diferenças.
“A experiência da alteridade (e a elaboração dessa experiência) leva-nos a ver aquilo que nem teríamos conseguido imaginar, dada a nossa dificuldade em fixar nossa atenção no que nos é habitual, familiar, cotidiano, e que consideramos ‘evidente’. Aos poucos, notamos que o menor dos nossos comportamentos (gestos, mímicas, posturas, reações afetivas) não tem realmente nada de ‘natural’. Começamos, então, a nos surpreender com aquilo que diz respeito a nós mesmos, a nos espiar. O conhecimento (antropológico) da nossa cultura passa inevitavelmente pelo conhecimento das outras culturas; e devemos especialmente reconhecer que somos uma cultura possível entre tantas outras, mas não a única”. (F. Laplantine, 2000:21)*
Enfim, obrigada a cada um de meus colegas pelas experiências compartilhadas, obrigada Vanessa e Wyller pelos exercícios propostos. Aguardo ansiosa pelas próximas aulas!
Kelly Lima

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