domingo, 16 de setembro de 2012
Teatro Itinerante Cooperarte: Estrutura do Palco
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Eu, a Fran e blábláblá...
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Chegando na sala de ensaio (sala)...
Natan dias
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Teatro de Rua!!!!
Confesso que para mim,mesmo já tendo um olhar diferente sobre o teatro,ocorreram fatos inimagináveis,não
por ser uma turma grande,ou por ter uma seleção diferente do normal.Mas sim pela energia que cada um levou consigo para aquela aula,mesmo sendo pessoas diferentes em realidades localidades e também pelas história de vida que cada um trás consigo,pelo teatro que cada um já fez na sobrevivência interpretando o papel de si mesmo até chegar naquele Sábado 11/08/2012.
Bom não tenho muito o que relatar sobre essa experiência,a não ser o fato de quanto eu fiquei admirada,admirada sim por ver o quanto as pessoas foram capazes de se entrega por imediato,deixando a vergonha e timidez de lado,não só no anseio de compartilhar uma troca de olhares em meio a um circulo,ah ir para uma praça acho que todos já esperávamos,afinal é teatro de rua,acredito que o que não era aguardado era abrir sua vida e virar Realeza em questão de alguns minutos para que ela fosse exposta em meio a uma praça onde muitas pessoas passavam, algumas só olhavam outras participavam ao seu modo meio tímido observavam e brincavam no seu canto até a hora de "sacudir o rabo do Jacaré" em meio a um tumulto pois nessa hora foi como num piscar de olhos a praça encheu - se de curiosos,não sei se queria sacudir o rabo do jacaré,ou não bulir, bulindo!Tudo bem,isso não foi nada!Depois de deitar-me no chão,sujo do dia-a-dia,odorizado como colocado por alguns inclusive eu!Confesso que foi horrível deitar naquele chão,mas logo esqueci onde estava,quando me perdi nos cantos dos pássaros e dai tudo passou a fluir naturalmente foi como se ter deitado no chão fizesse todos os exercícios seguinte ser de uma simplicidade menor,não menor valor,mas como se o bloqueio inicial não existisse mais.
Enfim,entre experiencias vividas,musicas interpretadas em plena praça,troca de olhares,perca de timidez e muitas,muitas cantorias mesmo,e coisa que com certeza não se perderam e nem deixaram de acontecer nas próximas aulas vou encerrar este post com o desejo de que todos os Sábados em diante seja sempre o 1º Sábado,para que nunca nos falte essa energia,boa vontade e o desejo de se conhecer e estarmos todos juntos,até quando nos for possível.
Que nos venha mas 1ª aulas!!!!
(Karla)
terça-feira, 14 de agosto de 2012
O que esperar do primeiro dia de aula?
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
1º dia (11/08/12)
Devolta pra sala, exercicio de "sintonia" na troca de lugar por troca de olhar. E na "compra" (ou côco, se não me engano) houve até gingado de copoeira. Foi uma festa se apropriando da tecnica.
No final, cada um expôs: elogios, sensações, critica e sugestões. A sintonia foi tanta, que houve proposta de exercicio até nu...imagina?? quem concorda grita ROOU, ae!!
(G.da Silva)
sábado, 11 de agosto de 2012
Peço licença para invadir um pouquinho o espaço e transmitir a vocês um poema que encontrei, por acaso, na internet que, para mim, significa exatamente o que vivemos hoje e, provavelmente viveremos por todo período em que estivermos juntos. =)
Bom, me despeço por aqui para dar lugar aos comentários sobre a aula (que espero ansiosa) dos meus cinco colegas...
" E EM MILHÕES DE MIGALHAS
SACIO A MINHA FOME,
E EM MILHÕES DE PEQUENOS PASSOS
SACIO A MINHA SEDE DE CAMINHAR,
E NO EMBARAÇO VISTOSO DESSA IMENSIDÃO MODERNA
QUERO ENCONTRAR A TODOS VOCÊS
IRRADIANDO A SIMPATIA QUE LHE SÃO PECULIARES
MESMO FECHADOS EM SEUS PRÓPRIOS AUTOMÓVEIS,
MESMO TRANCADOS EM SEUS IMÓVEIS
MEU CORAÇÃO SE ENCHERÁ DE ALEGRIA"
(Alegria essa que, unidos, faremos irradiar em cada canto dessa cidade)
Um beijo a todos!
Foi maravilhoso estar com cada um de vocês =)
Gizelle
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Dia de 'Bagunça'!
Nossa aula!
Beeejooo....
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Seguem abaixo algumas frases engraçadas sobre casamento... :-)
Só para descontrair um pouco! rs
Bjs
Kelly
quarta-feira, 23 de maio de 2012
sábado, 19 de maio de 2012
Belfagor, Maquiavel.
- Embora eu, meus diletíssimos amigos, por disposição celeste e sorte fatal, de todo irrevogável, possua este reino e não possa ser submetido a nenhum juízo, nem celeste, nem mundano, contudo resolvi consultar-vos. Grande prudência revelam os mais poderosos se curvam eles mesmos às leis e levam em conta a opinião alheia. Dizei-me, pois, com devo proceder num caso que poderia redundar em infâmia para nosso império. Todas as almas de homens que entram em nosso reino pretendem ter sido causa disso a própria mulher, o que nos parece impossível. Se condenarmos tal afirmação, talvez os levianos nos acusem de crueldade; se não o fizermos, talvez os injustos nos considerem demasiado indulgentes e pouco amantes da justiça. Querendo evitar uma e outra acusação, e não encontrando o meio, decidimos convocar-vos a fim de que nos ajudeis com vossos conselhos e façais que este reino continue a viver sem infâmia, como sempre tem vivido.
Cada um daqueles príncipes achava o caso importantíssimo, e de grande monta. Estavam todos de acordo em que era preciso descobrir a verdade, mas discordavam quanto à maneira de o fazer. Uns julgavam que se devia mandar um deles ao mundo, outros que vários, para conhecerem ali pessoalmente, sob forma humana, o que era a verdade. A outros parecia desnecessário tantos incômodos; bastava obrigar várias almas, por meio de tormentos diversos, a confessá-la. Como, porém, a maior parte se declarasse pela primeira opinião, foi adotada esta. Ninguém, no entanto, se oferecia espontaneamente a tentar a empresa; assim, recorreram à sorte. Esta recaiu sobre Belfagor, arquidiabo, que anteriormente – antes de cair do Céu, era arcanjo.
Aceitou ele o encargo com repugnância, mas o poder de Plutão o constrangeu a executar o que o conselho resolvera, e teve de consentir nas condições solenemente aceitas por todos. Tinha sido deliberado que aquele em quem recaísse a sorte receberia imediatamente cem mil ducados, e com estes viria a nascer no mundo, a casar-se sob forma humana e viver com a mulher durante dez anos; depois, fingindo morrer, voltaria e exporia a seus superiores, fundado na própria experiência, quais são os encargos e os incômodos do casamento. Fora deliberado, também, que durante o tempo em apreço ficaria submetido a todos os achaques e males a que os homens estão sujeitos, sem excluir a pobreza, a prisão, as doenças e todas as desgraças que aos mortais ocorrem, salvo se por meio de engano, astúcia conseguisse livrar-se delas.
Aceitas, pois, as condições e os ducados, foi-se Belfagor ao mundo e, devidamente provido de cavalos e companheiros, entrou honrosissimamente em Florença. Escolhera esta cidade, de preferência a todas as outras, para seu domicílio, por lhe parecer entre todas a mais apta a suportar quem quisesse viver empregando seu dinheiro em negócios. Fez-se chamar Rodrigo de Castela e alugou casa no bairro de Todos os Santos. Para que não lhe pudessem investigar os antecedentes, afirmou haver partido de Espanha ainda pequeno; dali fora à Síria e a Alepo, onde ganhara tudo o que tinha; de lá, viajara para a Itália a fim de casar-se num lugar mais humano, conforme à vida civilizada e à sua própria índole.
Era Rodrigo um belíssimo rapaz, que aparentava trinta anos. Em poucos dias demonstrara quantas riquezas tinha e dera prova de sua liberalidade e humanidade; e logo vários cidadãos nobres, providos de muitas filhas e pouco dinheiro, lhe ofereceram seus préstimos. Entre todas, Rodrigo escolheu uma belíssima rapariga, chamada Honesta, filha de Américo Donati, que tinha mais três filhas, quase em idade de casar, e três filhos já adultos. Posto que de família muito nobre e tido em bom conceito em Florença, era Américo bem pobre, levando-se em conta sua numerosa prole e sua nobreza.
Rodrigo celebrou núpcias magníficas, nada omitindo de quantas coisas em tais festas se exigem. Segundo a lei que aceitara ao sair do Inferno, estava sujeito a todas as paixões humanas; assim, logo entrou a deleitar-se com as honrarias e pompas do mundo, e a gostar de ser louvado entre os homens, coisas que lhe acarretavam não pequena despesa. Por outro lado, não tardou muito a apaixonar-se perdidamente por sua D. Honesta, nem mais podia viver quando por alguma razão a encontrava triste ou aborrecida.
Trouxera consigo D. Honesta, além da nobreza e beleza, tanta soberba quanta nem Lúcifer tivera jamais; Rodrigo, que experimentara uma e outra, julgou superior a da mulher. À medida, porém, que ela percebia o amor que lhe devotava o marido, crescia-lhe sobremodo o orgulho. Pensava que o podia dominar em tudo, dava-lhe ordens sem o menor respeito ou piedade e, se lhe negava ele alguma coisa, não tinha escrúpulos em agredi-lo com palavras grosseiras e injuriosas, o que a Rodrigo causou incrível enfado. Todavia, o sogro, os irmãos, a parentela, as obrigações do casamento e sobretudo o grande amor que ela lhe inspirava, faziam-no pacientar. Quero passar em silêncio os grandes gastos a que era obrigado para contentá-la, vestindo-a segundo os novos costumes e modas recentes; nem lembrarei que, para ela o deixar em paz, teve ele de ajudar o sogro a casar as outras filhas, o que lhe fez despender considerável importância. Depois, desejando-se manter em boa paz com a mulher, consentiu em mandar um dos irmãos dela para o Levante com casemiras e outro para o Ocidente levando sedas, ao passo que para o terceiro abriu em Florença uma oficina de ourives, em que despendeu a maior parte do dinheiro que tinha. Todas essas coisas, suportava-as Rodrigo pelos motivos supracitados; apesar de gravíssimas, nem graves as teria achado se houvessem introduzido a paz em sua casa, permitindo-lhe aguardar em sossego o momento de sua própria ruína. Mas foi o contrário que sucedeu, pois a índole insolente de sua esposa, além das despesas insuportáveis, carreava-lhe inúmeros aborrecimentos. Nenhum criado a agüentava, não digo por muito tempo, mas nem sequer por alguns dias. Para Rodrigo era o mais duro dos incômodos não possuir um criado que tivesse amor à sua casa. Os próprios diabos que trouxera consigo como domésticos preferiam voltar aos fogos do Inferno a viver no mundo às ordens daquela mulher.
Assim continuava Rodrigo na sua vida tumultuosa e inquieta. Tendo já consumido nos gastos desenfreados o que reservara em espécie, começou a viver à espera das entradas que aguardava do Ocidente e do Levante. Como ainda tivesse bom crédito, pediu dinheiro emprestado, para não ficar aquém de sua condição; e já certo número de letras sacadas por ele circulavam na praça, o que logo foi notado pelos que trabalham neste ramo de negócios.
Já era bem precária a situação de Rodrigo, quando de súbito chegam notícias do Levante e do Ocidente: aqui um dos irmãos de D. Honesta perdera no jogo todo o dinheiro de Rodrigo; ali, o outro, ao voltar em um navio carregado de suas mercadorias, que não estavam no seguro, naufragou com toda a carga.
Mal se divulgaram essas novas, os credores de Rodrigo reuniram-se. Julgavam-no um homem liquidado, mas ainda não podiam tomar providências, por não haver expirado o prazo das cobranças; resolveram, pois, mandar observá-lo habilmente, para que num abrir e fechar de olhos não lhes escapasse das mãos. Por sua parte, Rodrigo não vendo outro remédio e sabendo as obrigações que lhe impunha o pacto infernal, decidiu fugir a todo transe. Certa manhã, montou a cavalo e saiu pela porta do Prato, perto da qual residia. Espalhada a notícia de sua fuga, alarmados recorreram os credores às autoridades e puseram-se no encalço dele, acompanhados não apenas dos meirinhos, senão também de muitos populares.
Em fuga pelos campos, Rodrigo chegou à casa de João Mateus del Bricca, lavrador de João del Bene. O acaso fê-lo encontrar com João Mateus, que trazia de comer aos bois. A este se recomendou o fugitivo, prometendo-se que, se o salvasse de seus inimigos, o tornaria rico, coisa de que lhe daria prova antes mesmo de sair de sua casa; se não o fizesse, concordava em que o próprio camponês o entregasse aos seus adversários.
Embora simples aldeão, era João Mateus homem de coragem. Julgava que nada tinha a perder se tentasse salvá-lo e prometeu auxílio. Havia diante da casa um monte de estrume; foi lá que o escondeu, cobrindo-o de caniços e raminhos ajustados para fazer fogo.
Mal acabara Rodrigo de esconder-se, chegaram seus perseguidores. Por mais ameaças que fizessem a João Mateus, não alcançaram levá-lo a confessar que o tinha visto. Assim, partiram e, depois de procurá-lo todo aquele dia e mais o dia seguinte, retornaram a Florença, exaustos.
Cessada a agitação, João Mateus tirou Rodrigo do esconderijo e pediu-lhe que cumprisse a promessa, ao que Rodrigo lhe disse:
- Irmão meu, tenho contigo uma grande obrigação e quero cumpri-la de qualquer maneira; e para que acredites que o posso fazer, dir-te-ei quem sou.
Nisso revelou a sua identidade, contando em que condições saíra do Inferno e como se casara. Explicou-lhe, em seguida, como pretendia fazê-lo rico. O seu projeto era o seguinte: quando João Mateus ouvisse que alguma mulher estava espiritada, devia saber que era ele, Rodrigo, que se apoderara dela; nem sairia do corpo da vítima sem que João Mateus viesse tirá-lo; destarte, poderia o camponês pedir aos parentes da endemoniada o preço que bem entendesse. João Mateus aceitou a proposta e Rodrigo partiu.
Decorridos alguns dias, propagou-se a notícia de que uma filha de mestre Ambrósio Amadei, casada com Buonaiuto Tebalducci, estava espiritada. Não descuravam os parentes nenhum remédio a que se recorre em casos semelhantes; assim puseram-lhe na cabeça o crânio de S. Zenóbio e o manto de S. João Gualberto. Rodrigo porém, zombava de tudo aquilo. E, para dar a entender a todos que o mal da moça era um espírito e não qualquer imaginação fantástica, falava latim, discutia coisas de filosofia e descobria os pecados de muitos, desmascarando, entre outros, a um frade que guardara em sua cela, durante mais de quatro anos, uma mulher vestida à maneira de fradinho, coisas que enchiam a todos de espanto. Estava Mestre Ambrósio irritadíssimo e, havendo experimentado em vão todos os remédios, perdera já a esperança de curar a filha, quando João Mateus veio ter com ele prometendo-lhe a saúde da filha se lhe desse quintos florins. Ambrosio aceitou a proposta. Então João Mateus, depois de mandar dizer um certo número de missas e executar algumas cerimônias para embelezar a coisa, achegou-se à moça e segredou-lhe ao ouvido:
- Rodrigo, aqui estou esperando que me cumpras a promessa.
Ao que Rodrigo respondeu:
- Com o maior prazer. Mas isso não chega ainda a tornar-te rico. Eis por que, apenas saído daqui, entrarei na filha do rei Carlos de Nápoles, e de lá não sairei sem que me chames. Então exigirás uma propina a teu contento e depois disso não deverás mais importunar-me.
Nisso saiu do corpo da doente, com alegria e admiração de toda Florença.
Não tardou e já se espalhava por toda Itália outro acidente, com a filha do rei Carlos. Como o remédio dos frades não servisse, o rei, que ouvira falar em João Mateus, mandou chamá-lo. Entretanto, Rodrigo, antes de sair do corpo da princesa, disse-lhe:
- Olha João Mateus, cumpri a promessa de te enriquecer. Desobriguei-me contigo e não te devo mais coisa alguma. Portanto, andarás acertado em nunca mais me aparecer, pois assim como te fiz bem até hoje, doravante te farei mal.
João Mateus tornou a Florença riquíssimo, tendo recebido do rei mais de cinqüenta ducados. Estava resolvido a gozar em sossego a opulência, sem crer que Rodrigo pensasse realmente em prejudicá-lo. Bem cedo, porém, se desiludiu, ante a notícia de que a filha de Luís VII, rei de França, estava espiritada. Essa notícia conturbou de todo a alma de João Mateus, que não cessava de pensar na autoridade do monarca e nas palavras que dissera Rodrigo. De fato, o rei como não encontrasse remédio para o mal da filha, e tendo ouvido falar da capacidade de João Mateus, mandou chamá-lo, primeiro simplesmente por correio, mas visto que o homem alegava certa indisposição, viu-se o rei obrigado a reconhecer à Signoria, a qual obrigou João Mateus a obedecer.
Desesperado, foi este a Paris onde começou por explicar ao rei que efetivamente curava, já, certas endemoniadas, mas que isso não queria dizer de modo algum que soubesse ou pudesse curá-las todas, pois algumas há de natureza tão pérfida que não temem ameaças, nem encantamentos, nem religião, seja qual for; de todavia estava pronto a fazer o que pudesse, mas pedia desculpa se não fosse bem sucedido. Enfastiado, o rei declarou que, se não lhe curasse a filha, mandaria enforcá-lo. Viu-se João Mateus em grandes apuros, mas fez da fraqueza, força; mandou vir a endemoniada e, achegando-se ao ouvido, recomendou-se humildemente a Rodrigo, lembrando-lhe o benefício prestado e como seria ingrato se o desamparasse naquele transe.
- Irra! – exclamou Rodrigo. – Então, miserável traidor, ainda tens coragem de te apresentar diante de mim? Pensas poder-te gabar de que enriqueceste com meu auxílio? Pois hei de mostrar-te, a ti e a todos, que sei dar e retirar qualquer coisa, a meu talante; e, antes que partas daqui, farei enforcar-te, custe o que custar.
Em tal conjuntura, João Mateus não vendo remédio, resolveu tentar a fortuna por outro meio. Mandou embora a espiritada e disse ao rei:
- Senhor, como declarei, há muitos espíritos tão malignos que com eles ninguém pode; pois este é um dos tais. Mas quero fazer uma última experiência: se for bem sucedido, teremos alcançado nosso fim; em caso contrário, estarei em suas mãos, que saberá ter comigo a compaixão a que faz jus minha inocência. Ordene V. Majestade que se erga na praça de Nossa Senhora, um grande estrado, em que caibam todos os barões e todo o clero desta cidade; mande orná-lo em panos de seda e ouro, e erguer no meio dele um altar. Quero que domingo próximo Vossa Majestade com todo o clero, todos seus príncipes e barões, se reunam no estrado, com pompa real. Depois de celebrada a missa V. M. fará vir a endemoniada. Quero, além disso, que num ângulo da praça haja pelo menos vinte pessoas munidas de trompas, cornetas, tambores, símbalos e instrumentos de toda sorte. Quando eu levantar o chapéu, todos deverão tanger os seus instrumentos e encaminhar-se na direção do estado. Essas coisas, junto com certos outros remédios secretos, julgo farão partir o tal espírito.
O rei ordenou tudo isso. Chegou a manhã de domingo. O estado estava cheio de personagens e a praça de povo. Celebrada a missa, a espiritada foi conduzida ao estrado por dois bispos e muitos senhores. Ao ver tamanho ajuntamento e tanto aparato, Rodrigo ficou quase tanto e disse consigo: - “Que terá inventado este miserável traidor? Pensa espantar-me com essa pompa? Ignora que estou acostumado a ver as pompas do Céu e as fúrias do Inferno? Hei de castigá-lo, seja como for.”
Quando, depois, João Mateus se aproximou dele novamente e lhe pediu que saísse, ele falou:
- Bela idéia a tua, na verdade! Que pensas alcançar com todo este aparato? Acreditas escapar assim ao meu poder e à ira do rei? Miserável ladrão, farei enforcar-te, haja o que houver.
Como não cessasse de repetir estas palavras, João Mateus houve por bem não perder mais tempo. Fez o sinal com o chapéu e todas as pessoas encarregadas de fazer barulho tocaram os seus instrumentos e com um rumor que ia ao Céu foram chegando ao estrado. O barulho aguçou os ouvidos a Rodrigo, o qual não entendendo o que era aquilo, pediu a João Mateus que lho explicasse. Este lhe respondeu, muito perturbado:
- Ai, meu Rodrigo, é a tua mulher que vem buscar-te!
Era de ver a alteração produzida na mente de Rodrigo pelo nome da mulher. Tamanho lhe foi o espanto que, sem indagar de si mesmo se era possível que ela estivesse ali, fugiu sem dizer palavra e deixou a princesa livre; preferiu voltar ao Inferno para dar conta de suas ações a submeter-se outra vez ao jugo matrimonial, suportando tantos fastios, despeitos e perigos. Assim, Belfagor, de volta ao Inferno, atestou os males que a esposa traz consigo a uma casa, ao passo que João Mateus, que se mostrara mais esperto que o Diabo, regressou a casa contentíssimo.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Cortejo para Mostra de Cenas Minuto, da FAFI.
"Esta aqui eu não vou nem falar, preste bem atenção! / Com seu vestido de bolinha, eu me lembro: "é um 'vestido' de bolinha amarelinha"- Eu me lembro dessa canção. / Talvez, na tua idade, ainda não existia, não / Mas não tem problema, o tempo foi passando... Agente só veio brincar / Também é rainha, pode em qualquer lugar brilhar / Mas também faz parte da galera que vive ali no teatro, fazendo o povo sorrir e cantar... / Só cuidado pra dentadura não pular, mas deixa pra lá."
Êhh... Coisa boa!!
A cada dia, um aprendizado e uma nova conquista.
Feliz por ser TEATRO e por conhecer vocês!!
Beijo, beijo, beijo...
Franciely Sampaio
sexta-feira, 27 de abril de 2012
O REPENTISTA - Cortejo para a Mostra de Cenas Minuto, da FAFI.
Franciely Sampaio.
domingo, 15 de abril de 2012
sábado, 17 de março de 2012
Minha Zona de Desconforto
sábado, 10 de março de 2012
Poesia de ônibus.
Hoje eu pulei em poças d'água e gritei ao mundo letras do Chico.
Hoje eu bati palmas, me tornei foco, dancei no centro da roda e cantei musicas sobre bundas brilhosas de vagalumes...
Hoje, como nunca, eu fui feliz!
- Agora, estou aqui.
Nina Ferrari
http://ame-nina.blogspot.com/
"Contra a ignorância, o terror, a falta de educação, a propaganda de promessas, o conforto moral, a ordem acima do progresso, a fome, a falta de dentes, a falta de amores, o obscurantismo... nós fazemos teatro.Fazemos teatro pra dar sentido às potencialidades, pra
ocupar o tempo, pra desatolar o coração, pra provocar instintos, pra fertilizar razões, por uns trocados, por uma boa bisca, porque é fundamental e porque é inútil. Pra subir na vida, pra cair de quatro, pra se enganar e se conhecer... contra a experiência insatisfatória; contra a natureza, se for o caso, nós fazemos teatro.
Fazemos teatro pra não nos tornarmos ainda pior do que somos. Pra julgar publicamente os grandes massacres do espírito. Pra viabilizar a esperança humana, essa serpente...Nós fazemos teatro de manhã, de tarde e de noite. Nós somos uma convivência de emoções, 24 horas distribuindo máscaras e raízes.Nós fazemos teatro de tudo, o tempo todo, porque acreditamos que a vida pode ser tão expressiva quanto a obra e que devemos ter a chance de concebê-la e forni-la artisticamente. Porque estamos acordados. Porque sonhamos os nossos
pesadelos.Nós fazemos teatro apesar daqueles que, por um motivo que só pode ser estúpido, estejam "contra" o teatro. Aliás, o que pode ser "contra" algo tão "a favor"? Nós fazemos teatro contra a mediocrização do pensamento; a desigualdade entre os iguais e a igualdade dos diferentes.
Nós fazemos teatro contra os privilégios dos assassinos de gravata, batina, jaqueta, toga, minissaia, vestido longo, farda, camiseta regata ou avental. Contra a uniformidade, nós fazemos teatro.Nós fazemos teatro contra o mau teatro que querem fazer da realidade.Nós fazemos teatro pra explicarmo-nos - ainda que mal - e ao mal de todos nós dar algum destino menos infeliz.
Fernando Bonassi (1962) - ESCRITOR, ROTEIRISTA, DRAMATURGO E CINEASTA
segunda-feira, 5 de março de 2012
Oficina de Teatro de Rua. Professora: Vanessa Darmani
No sábado eu tive minha primeira experiência com aulas de teatro. Nunca participei nem mesmo de peças na igreja, mas resolvi ingressar na oficina de teatro de rua e estou realizando um sonho. Foi uma experiência incrível!
Já na primeira aula fomos para a Praça Costa Pereira. O interessante é que trabalhei no centro de Vitória por vários anos e foram poucas as vezes que parei na praça. Confesso que foi estranho chegar lá e ouvir: sentem-se no chão... Mais estranho ainda quando a orientação foi: deitem-se no chão! Contudo, devo admitir que o desconforto foi apenas inicial. Em pouquíssimo tempo eu já estava adorando aquele momento. Sentir-se completamente integrada àquele ambiente, fechar os olhos e ouvir os diversos tipos de sons, deixar aflorar os sentidos... Foi estimulante!
Outro exercício proposto foi conhecer em 01 minuto o que outro colega faz da vida e representá-lo depois. Foi muito bom superar a timidez inicial e perceber o esforço e a criatividade de cada Ator aprendiz para representar.
Após a experiência na praça voltamos para a sala de aula da FAFI. A partir de então começamos a ouvir a percepção de cada um dos colegas. E que ricas percepções! Algumas análises daquele momento foram realmente encantadoras: Vander, João Vitor, Robson, Franciely, Orion entre tantos outros. Ouvimos a respeito da integração com o ambiente, dos diferentes níveis de audição, da zona de conforto, da interação com os transeuntes, da superação...
Ao chegar em casa e pensar em todos o momentos da aula lembrei-me dos meus tempos de UFES, das explicações do professor Luiz Eustáquio Soares a respeito de Alteridade: Como se colocar no lugar do outro, como interagir, como conviver e aceitar as diferenças.
“A experiência da alteridade (e a elaboração dessa experiência) leva-nos a ver aquilo que nem teríamos conseguido imaginar, dada a nossa dificuldade em fixar nossa atenção no que nos é habitual, familiar, cotidiano, e que consideramos ‘evidente’. Aos poucos, notamos que o menor dos nossos comportamentos (gestos, mímicas, posturas, reações afetivas) não tem realmente nada de ‘natural’. Começamos, então, a nos surpreender com aquilo que diz respeito a nós mesmos, a nos espiar. O conhecimento (antropológico) da nossa cultura passa inevitavelmente pelo conhecimento das outras culturas; e devemos especialmente reconhecer que somos uma cultura possível entre tantas outras, mas não a única”. (F. Laplantine, 2000:21)*
Enfim, obrigada a cada um de meus colegas pelas experiências compartilhadas, obrigada Vanessa e Wyller pelos exercícios propostos. Aguardo ansiosa pelas próximas aulas!
Kelly Lima



