quarta-feira, 23 de maio de 2012

Olá amigos!

Na aula de sábado passado (19/05) a Vanessa aplicou exercícios de improvisação com o texto Belfagor, de Maquiavel. Dividimos o texto em quatro partes, da seguinte forma:

Parte 1:
(As cenas acontecem no inferno)

Personagens:
01 diabo chefe
02 diabos súditos
01 Belfagor
01 Arauto
02 testemunhas (sugestão de inclusão para a próxima aula)

Para incluir as 02 testemunhas creio que a ideia da Gerusa foi muito boa. Podem aparecer 02 figuras masculinas (talvez um malandro e um marido chifrudo?) fazendo o cadastro para entrar no inferno e, ao serem indagadas pelo recepcionista a respeito do motivo pelo qual estavam ali, todos alegam que foi devido ao casamento.
Obs.: O recepcionista pode utilizar um computador para fazer o cadastro e, posteriormente fazer uma pesquisa no google e no "diabobook" a respeito das definições de casamento.

Depois de perceber que ultimamente todos que chegavam ao inferno era devido ao tal casamento, o recepcionista e outros (s) súditos ficam apavorados e resolvem comunicar ao chefe. Resolvem então levar um chifrudo que acabou de chegar para testemunhar.

Após ouvir as definições de matrimônio e a descrição de como o casamento era ruim, o diabo chefe e seus súditos tentam encontrar uma solução, pois o inferno já está superlotado. O diabo chefe decide enviar um representante à Terra, para averiguar a situação. O escolhido para viver a experiência do matrimônio na Terra é Belfagor. Belfagor passará a ser chamar Rodrigo e receberá fortuna, beleza e tudo mais que for preciso para vir a Terra.

A Vanessa sugeriu que propuséssemos um sobrenome para Rodrigo. Pensei em Rodrigo Cachoeira, para fazer uma alusão ao nosso escândalo político atual, mas estamos aguardando novas sugestões...

Parte 2:
(As cenas acontecem na Terra)

Personagens:
Belfagor
Honesta
02 irmãos de Honesta
02 empregados
02 credores
02 vendedores
João Mateus

Belfagor/Rodrigo chega a Terra. Ele se apaixona e resolve se casar com Honesta, que é uma mulher cheia de caprichos e vontades que acabam levando Rodrigo à falência.

Nessa parte entram 02 vendedores (a sugestão foi de um vendedor da Herbalife e outro de coisas fúteis); os 02 irmãos de Honesta pedindo dinheiro emprestado e prometendo multiplicar os lucros e depois os credores, que ao desconfiarem que Rodrigo esteja falindo começam a vigiá-lo, para que o mesmo não fuja.

Obs: Os empregados podem mostrar insatisfação em trabalhar para Honesta, que os maltrata em cena.

Por fim, endividado e saturado com a situação, Rodrigo resolve fugir. Na fuga encontra João Mateus e propõe que ele o esconda, prometendo em troca tornar João Mateus um homem muito rico. Após esconder Rodrigo e passado o perigo, João Mateus escuta e aceita a proposta.

Parte 3:
(As cenas acontecem na Terra)

Personagens:
Belfagor/Rodrigo
João Mateus
02 possuídas
02 parentes das possuídas
01 Rei
01 princesa possuída
01 coral

João Mateus tira o espírito de 02 possuídas e conforme o plano enriquece e é orientado a não incomodar mais Rodrigo; contudo, depois de um tempo Belfagor possui a filha de um rei muito influente (talvez possa ser um político ou uma celebridade) e João Mateus, ameaçado, é obrigado a "tirar o espírito" da jovem princesa.

Belfagor não aceita nenhum acordo com João Mateus e Belfagor/Rodrigo que Honesta veio buscá-lo. Belfagor amedrontado foge sem nem mesmo averiguar se era verdade.

Obs: Sugestões de chegada para Honesta:
- Pode chegar com filhos e cobrando pensão;
- Casada com uma mulher;
- Casada com o "homem bengala" (vocês imaginam o porquê da bengala? rs)

Parte 4:
(De volta ao inferno...)

Personagens:
Belfagor
Diabo chefe
02 diabos súditos

Belfagor relata a experiência vivida ao diabo chefe e confirma que realmente o casamento é muito ruim, que a esposa Honesta foi a culpada de todos os problemas e que ele preferiu voltar ao inferno a ficar casado.

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Espero que tenha ajudado!

Lembrando que a professora Vanessa já agendou as aulas para a oficina de adereços. Serão nas sextas-feiras, provavelmente a partir das 19h e aos sábados a partir das 13h.
Sextas: 1, 8 (a confirmar devido ao feriado) e 22/06
Sábado: 2, 9 (a confirmar devido ao feriado), 16 e 23/06.

Beijo a todos e, se Deus quiser até o dia 01/06, pois no próximo sábado infelizmente não poderei comparecer.

Kelly






sábado, 19 de maio de 2012



Belfagor, Maquiavel.


Nas memórias antigas das coisas de Florença lê-se uma história referida por um homem santíssimo, mui respeitado por todos os seus contemporâneos. Certa vez, absorto em suas orações, graças a elas pôde ver como um sem-número de almas de míseros mortais que haviam morrido sem a graça de Deus iam para o inferno, e como todas ou a maioria delas lamentavam ter-se casado, pois era esta, e não outra, a causa de tamanha desdita. Minos e Radamanto, junto com os outros juízes infernais, ficaram muito admirados e, não podendo dar crédito às calúnias que as almas lançavam ao sexo feminino, fizeram disso um relatório regular a Plutão, tanto mais que a grita crescia a cada passo. Plutão deliberou examinar o caso de perto com todos os príncipes do Inferno e, depois, tomar o partido que fosse julgado mais conveniente para descobrir a verdade. Convidou-os, pois, ao conselho, e falou nestes termos:
- Embora eu, meus diletíssimos amigos, por disposição celeste e sorte fatal, de todo irrevogável, possua este reino e não possa ser submetido a nenhum juízo, nem celeste, nem mundano, contudo resolvi consultar-vos. Grande prudência revelam os mais poderosos se curvam eles mesmos às leis e levam em conta a opinião alheia. Dizei-me, pois, com devo proceder num caso que poderia redundar em infâmia para nosso império. Todas as almas de homens que entram em nosso reino pretendem ter sido causa disso a própria mulher, o que nos parece impossível. Se condenarmos tal afirmação, talvez os levianos nos acusem de crueldade; se não o fizermos, talvez os injustos nos considerem demasiado indulgentes e pouco amantes da justiça. Querendo evitar uma e outra acusação, e não encontrando o meio, decidimos convocar-vos a fim de que nos ajudeis com vossos conselhos e façais que este reino continue a viver sem infâmia, como sempre tem vivido.

Cada um daqueles príncipes achava o caso importantíssimo, e de grande monta. Estavam todos de acordo em que era preciso descobrir a verdade, mas discordavam quanto à maneira de o fazer. Uns julgavam que se devia mandar um deles ao mundo, outros que vários, para conhecerem ali pessoalmente, sob forma humana, o que era a verdade. A outros parecia desnecessário tantos incômodos; bastava obrigar várias almas, por meio de tormentos diversos, a confessá-la. Como, porém, a maior parte se declarasse pela primeira opinião, foi adotada esta. Ninguém, no entanto, se oferecia espontaneamente a tentar a empresa; assim, recorreram à sorte. Esta recaiu sobre Belfagor, arquidiabo, que anteriormente – antes de cair do Céu, era arcanjo.
Aceitou ele o encargo com repugnância, mas o poder de Plutão o constrangeu a executar o que o conselho resolvera, e teve de consentir nas condições solenemente aceitas por todos. Tinha sido deliberado que aquele em quem recaísse a sorte receberia imediatamente cem mil ducados, e com estes viria a nascer no mundo, a casar-se sob forma humana e viver com a mulher durante dez anos; depois, fingindo morrer, voltaria e exporia a seus superiores, fundado na própria experiência, quais são os encargos e os incômodos do casamento. Fora deliberado, também, que durante o tempo em apreço ficaria submetido a todos os achaques e males a que os homens estão sujeitos, sem excluir a pobreza, a prisão, as doenças e todas as desgraças que aos mortais ocorrem, salvo se por meio de engano, astúcia conseguisse livrar-se delas.

Aceitas, pois, as condições e os ducados, foi-se Belfagor ao mundo e, devidamente provido de cavalos e companheiros, entrou honrosissimamente em Florença. Escolhera esta cidade, de preferência a todas as outras, para seu domicílio, por lhe parecer entre todas a mais apta a suportar quem quisesse viver empregando seu dinheiro em negócios. Fez-se chamar Rodrigo de Castela e alugou casa no bairro de Todos os Santos. Para que não lhe pudessem investigar os antecedentes, afirmou haver partido de Espanha ainda pequeno; dali fora à Síria e a Alepo, onde ganhara tudo o que tinha; de lá, viajara para a Itália a fim de casar-se num lugar mais humano, conforme à vida civilizada e à sua própria índole.

Era Rodrigo um belíssimo rapaz, que aparentava trinta anos. Em poucos dias demonstrara quantas riquezas tinha e dera prova de sua liberalidade e humanidade; e logo vários cidadãos nobres, providos de muitas filhas e pouco dinheiro, lhe ofereceram seus préstimos. Entre todas, Rodrigo escolheu uma belíssima rapariga, chamada Honesta, filha de Américo Donati, que tinha mais três filhas, quase em idade de casar, e três filhos já adultos. Posto que de família muito nobre e tido em bom conceito em Florença, era Américo bem pobre, levando-se em conta sua numerosa prole e sua nobreza.
Rodrigo celebrou núpcias magníficas, nada omitindo de quantas coisas em tais festas se exigem. Segundo a lei que aceitara ao sair do Inferno, estava sujeito a todas as paixões humanas; assim, logo entrou a deleitar-se com as honrarias e pompas do mundo, e a gostar de ser louvado entre os homens, coisas que lhe acarretavam não pequena despesa. Por outro lado, não tardou muito a apaixonar-se perdidamente por sua D. Honesta, nem mais podia viver quando por alguma razão a encontrava triste ou aborrecida.

Trouxera consigo D. Honesta, além da nobreza e beleza, tanta soberba quanta nem Lúcifer tivera jamais; Rodrigo, que experimentara uma e outra, julgou superior a da mulher. À medida, porém, que ela percebia o amor que lhe devotava o marido, crescia-lhe sobremodo o orgulho. Pensava que o podia dominar em tudo, dava-lhe ordens sem o menor respeito ou piedade e, se lhe negava ele alguma coisa, não tinha escrúpulos em agredi-lo com palavras grosseiras e injuriosas, o que a Rodrigo causou incrível enfado. Todavia, o sogro, os irmãos, a parentela, as obrigações do casamento e sobretudo o grande amor que ela lhe inspirava, faziam-no pacientar. Quero passar em silêncio os grandes gastos a que era obrigado para contentá-la, vestindo-a segundo os novos costumes e modas recentes; nem lembrarei que, para ela o deixar em paz, teve ele de ajudar o sogro a casar as outras filhas, o que lhe fez despender considerável importância. Depois, desejando-se manter em boa paz com a mulher, consentiu em mandar um dos irmãos dela para o Levante com casemiras e outro para o Ocidente levando sedas, ao passo que para o terceiro abriu em Florença uma oficina de ourives, em que despendeu a maior parte do dinheiro que tinha. Todas essas coisas, suportava-as Rodrigo pelos motivos supracitados; apesar de gravíssimas, nem graves as teria achado se houvessem introduzido a paz em sua casa, permitindo-lhe aguardar em sossego o momento de sua própria ruína. Mas foi o contrário que sucedeu, pois a índole insolente de sua esposa, além das despesas insuportáveis, carreava-lhe inúmeros aborrecimentos. Nenhum criado a agüentava, não digo por muito tempo, mas nem sequer por alguns dias. Para Rodrigo era o mais duro dos incômodos não possuir um criado que tivesse amor à sua casa. Os próprios diabos que trouxera consigo como domésticos preferiam voltar aos fogos do Inferno a viver no mundo às ordens daquela mulher.
Assim continuava Rodrigo na sua vida tumultuosa e inquieta. Tendo já consumido nos gastos desenfreados o que reservara em espécie, começou a viver à espera das entradas que aguardava do Ocidente e do Levante. Como ainda tivesse bom crédito, pediu dinheiro emprestado, para não ficar aquém de sua condição; e já certo número de letras sacadas por ele circulavam na praça, o que logo foi notado pelos que trabalham neste ramo de negócios.

Já era bem precária a situação de Rodrigo, quando de súbito chegam notícias do Levante e do Ocidente: aqui um dos irmãos de D. Honesta perdera no jogo todo o dinheiro de Rodrigo; ali, o outro, ao voltar em um navio carregado de suas mercadorias, que não estavam no seguro, naufragou com toda a carga.

Mal se divulgaram essas novas, os credores de Rodrigo reuniram-se. Julgavam-no um homem liquidado, mas ainda não podiam tomar providências, por não haver expirado o prazo das cobranças; resolveram, pois, mandar observá-lo habilmente, para que num abrir e fechar de olhos não lhes escapasse das mãos. Por sua parte, Rodrigo não vendo outro remédio e sabendo as obrigações que lhe impunha o pacto infernal, decidiu fugir a todo transe. Certa manhã, montou a cavalo e saiu pela porta do Prato, perto da qual residia. Espalhada a notícia de sua fuga, alarmados recorreram os credores às autoridades e puseram-se no encalço dele, acompanhados não apenas dos meirinhos, senão também de muitos populares.
Em fuga pelos campos, Rodrigo chegou à casa de João Mateus del Bricca, lavrador de João del Bene. O acaso fê-lo encontrar com João Mateus, que trazia de comer aos bois. A este se recomendou o fugitivo, prometendo-se que, se o salvasse de seus inimigos, o tornaria rico, coisa de que lhe daria prova antes mesmo de sair de sua casa; se não o fizesse, concordava em que o próprio camponês o entregasse aos seus adversários.

Embora simples aldeão, era João Mateus homem de coragem. Julgava que nada tinha a perder se tentasse salvá-lo e prometeu auxílio. Havia diante da casa um monte de estrume; foi lá que o escondeu, cobrindo-o de caniços e raminhos ajustados para fazer fogo.

Mal acabara Rodrigo de esconder-se, chegaram seus perseguidores. Por mais ameaças que fizessem a João Mateus, não alcançaram levá-lo a confessar que o tinha visto. Assim, partiram e, depois de procurá-lo todo aquele dia e mais o dia seguinte, retornaram a Florença, exaustos.

Cessada a agitação, João Mateus tirou Rodrigo do esconderijo e pediu-lhe que cumprisse a promessa, ao que Rodrigo lhe disse:

- Irmão meu, tenho contigo uma grande obrigação e quero cumpri-la de qualquer maneira; e para que acredites que o posso fazer, dir-te-ei quem sou.

Nisso revelou a sua identidade, contando em que condições saíra do Inferno e como se casara. Explicou-lhe, em seguida, como pretendia fazê-lo rico. O seu projeto era o seguinte: quando João Mateus ouvisse que alguma mulher estava espiritada, devia saber que era ele, Rodrigo, que se apoderara dela; nem sairia do corpo da vítima sem que João Mateus viesse tirá-lo; destarte, poderia o camponês pedir aos parentes da endemoniada o preço que bem entendesse. João Mateus aceitou a proposta e Rodrigo partiu.

Decorridos alguns dias, propagou-se a notícia de que uma filha de mestre Ambrósio Amadei, casada com Buonaiuto Tebalducci, estava espiritada. Não descuravam os parentes nenhum remédio a que se recorre em casos semelhantes; assim puseram-lhe na cabeça o crânio de S. Zenóbio e o manto de S. João Gualberto. Rodrigo porém, zombava de tudo aquilo. E, para dar a entender a todos que o mal da moça era um espírito e não qualquer imaginação fantástica, falava latim, discutia coisas de filosofia e descobria os pecados de muitos, desmascarando, entre outros, a um frade que guardara em sua cela, durante mais de quatro anos, uma mulher vestida à maneira de fradinho, coisas que enchiam a todos de espanto. Estava Mestre Ambrósio irritadíssimo e, havendo experimentado em vão todos os remédios, perdera já a esperança de curar a filha, quando João Mateus veio ter com ele prometendo-lhe a saúde da filha se lhe desse quintos florins. Ambrosio aceitou a proposta. Então João Mateus, depois de mandar dizer um certo número de missas e executar algumas cerimônias para embelezar a coisa, achegou-se à moça e segredou-lhe ao ouvido:

- Rodrigo, aqui estou esperando que me cumpras a promessa.

Ao que Rodrigo respondeu:

- Com o maior prazer. Mas isso não chega ainda a tornar-te rico. Eis por que, apenas saído daqui, entrarei na filha do rei Carlos de Nápoles, e de lá não sairei sem que me chames. Então exigirás uma propina a teu contento e depois disso não deverás mais importunar-me.

Nisso saiu do corpo da doente, com alegria e admiração de toda Florença.

Não tardou e já se espalhava por toda Itália outro acidente, com a filha do rei Carlos. Como o remédio dos frades não servisse, o rei, que ouvira falar em João Mateus, mandou chamá-lo. Entretanto, Rodrigo, antes de sair do corpo da princesa, disse-lhe:

- Olha João Mateus, cumpri a promessa de te enriquecer. Desobriguei-me contigo e não te devo mais coisa alguma. Portanto, andarás acertado em nunca mais me aparecer, pois assim como te fiz bem até hoje, doravante te farei mal.

João Mateus tornou a Florença riquíssimo, tendo recebido do rei mais de cinqüenta ducados. Estava resolvido a gozar em sossego a opulência, sem crer que Rodrigo pensasse realmente em prejudicá-lo. Bem cedo, porém, se desiludiu, ante a notícia de que a filha de Luís VII, rei de França, estava espiritada. Essa notícia conturbou de todo a alma de João Mateus, que não cessava de pensar na autoridade do monarca e nas palavras que dissera Rodrigo. De fato, o rei como não encontrasse remédio para o mal da filha, e tendo ouvido falar da capacidade de João Mateus, mandou chamá-lo, primeiro simplesmente por correio, mas visto que o homem alegava certa indisposição, viu-se o rei obrigado a reconhecer à Signoria, a qual obrigou João Mateus a obedecer.

Desesperado, foi este a Paris onde começou por explicar ao rei que efetivamente curava, já, certas endemoniadas, mas que isso não queria dizer de modo algum que soubesse ou pudesse curá-las todas, pois algumas há de natureza tão pérfida que não temem ameaças, nem encantamentos, nem religião, seja qual for; de todavia estava pronto a fazer o que pudesse, mas pedia desculpa se não fosse bem sucedido. Enfastiado, o rei declarou que, se não lhe curasse a filha, mandaria enforcá-lo. Viu-se João Mateus em grandes apuros, mas fez da fraqueza, força; mandou vir a endemoniada e, achegando-se ao ouvido, recomendou-se humildemente a Rodrigo, lembrando-lhe o benefício prestado e como seria ingrato se o desamparasse naquele transe.

- Irra! – exclamou Rodrigo. – Então, miserável traidor, ainda tens coragem de te apresentar diante de mim? Pensas poder-te gabar de que enriqueceste com meu auxílio? Pois hei de mostrar-te, a ti e a todos, que sei dar e retirar qualquer coisa, a meu talante; e, antes que partas daqui, farei enforcar-te, custe o que custar.

Em tal conjuntura, João Mateus não vendo remédio, resolveu tentar a fortuna por outro meio. Mandou embora a espiritada e disse ao rei:

- Senhor, como declarei, há muitos espíritos tão malignos que com eles ninguém pode; pois este é um dos tais. Mas quero fazer uma última experiência: se for bem sucedido, teremos alcançado nosso fim; em caso contrário, estarei em suas mãos, que saberá ter comigo a compaixão a que faz jus minha inocência. Ordene V. Majestade que se erga na praça de Nossa Senhora, um grande estrado, em que caibam todos os barões e todo o clero desta cidade; mande orná-lo em panos de seda e ouro, e erguer no meio dele um altar. Quero que domingo próximo Vossa Majestade com todo o clero, todos seus príncipes e barões, se reunam no estrado, com pompa real. Depois de celebrada a missa V. M. fará vir a endemoniada. Quero, além disso, que num ângulo da praça haja pelo menos vinte pessoas munidas de trompas, cornetas, tambores, símbalos e instrumentos de toda sorte. Quando eu levantar o chapéu, todos deverão tanger os seus instrumentos e encaminhar-se na direção do estado. Essas coisas, junto com certos outros remédios secretos, julgo farão partir o tal espírito.

O rei ordenou tudo isso. Chegou a manhã de domingo. O estado estava cheio de personagens e a praça de povo. Celebrada a missa, a espiritada foi conduzida ao estrado por dois bispos e muitos senhores. Ao ver tamanho ajuntamento e tanto aparato, Rodrigo ficou quase tanto e disse consigo: - “Que terá inventado este miserável traidor? Pensa espantar-me com essa pompa? Ignora que estou acostumado a ver as pompas do Céu e as fúrias do Inferno? Hei de castigá-lo, seja como for.”

Quando, depois, João Mateus se aproximou dele novamente e lhe pediu que saísse, ele falou:

- Bela idéia a tua, na verdade! Que pensas alcançar com todo este aparato? Acreditas escapar assim ao meu poder e à ira do rei? Miserável ladrão, farei enforcar-te, haja o que houver.

Como não cessasse de repetir estas palavras, João Mateus houve por bem não perder mais tempo. Fez o sinal com o chapéu e todas as pessoas encarregadas de fazer barulho tocaram os seus instrumentos e com um rumor que ia ao Céu foram chegando ao estrado. O barulho aguçou os ouvidos a Rodrigo, o qual não entendendo o que era aquilo, pediu a João Mateus que lho explicasse. Este lhe respondeu, muito perturbado:

- Ai, meu Rodrigo, é a tua mulher que vem buscar-te!

Era de ver a alteração produzida na mente de Rodrigo pelo nome da mulher. Tamanho lhe foi o espanto que, sem indagar de si mesmo se era possível que ela estivesse ali, fugiu sem dizer palavra e deixou a princesa livre; preferiu voltar ao Inferno para dar conta de suas ações a submeter-se outra vez ao jugo matrimonial, suportando tantos fastios, despeitos e perigos. Assim, Belfagor, de volta ao Inferno, atestou os males que a esposa traz consigo a uma casa, ao passo que João Mateus, que se mostrara mais esperto que o Diabo, regressou a casa contentíssimo.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Cortejo para Mostra de Cenas Minuto, da FAFI.

Foto tirada em frente ao Theatro Carlos Gomes


"Esta aqui eu não vou nem falar, preste bem atenção! / Com seu vestido de bolinha, eu me lembro: "é um 'vestido' de bolinha amarelinha"- Eu me lembro dessa canção. / Talvez, na tua idade, ainda não existia, não / Mas não tem problema, o tempo foi passando... Agente só veio brincar / Também é rainha, pode em qualquer lugar brilhar / Mas também faz parte da galera que vive ali no teatro, fazendo o povo sorrir e cantar... / Só cuidado pra dentadura não pular, mas deixa pra lá."

Êhh... Coisa boa!!
A cada dia, um aprendizado e uma nova conquista.
Feliz por ser TEATRO  e por conhecer vocês!!
Beijo, beijo, beijo...

Franciely Sampaio